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Eu sou o Presidente, viva a Democracia

Mesa Receptora: PresidenteO meu mandato chegou ao fim. Depois de 3 anos consecutivos como presidente de zona seção eleitoral, este ano eu repassei o cargo com orgulho e satisfação de missão comprida.

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharão nas eleições, recebendo cerca de 120 milhões de eleitores em todo o Brasil. A pergunta que não quer calar: como são selecionados os mesários?

Não recordo de ter enviado meu currículo ou ter preenchido ficha alguma para tal vaga. Muito menos uma chapa para gerenciar seções eleitorais. O que é mais democrático disso tudo é que trata-se de um trabalho obrigatório. Uma vez convocado é uma obrigação comparecer, não há como negar tal cargo.

O Código Eleitoral determina:

Art. 344. Recusar ou abandonar o serviço eleitoral sem justa causa: Pena – detenção até dois meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa.

Há que de venderá tal prática alegando que, mesmo sendo um trabalho gratuito (não posso chamar de voluntário, afinal são poucos os casos em que as pessoas se candidatam a trabalhar como mesários) há dois dias de folgas – para quem trabalha formalmente – para cada um dia trabalhado ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Algo injusto por sinal, uma vez que quem irá pagar o seu dia de trabalho nas eleições[bb] será o seu chefe, sua empresa.

Ser mesário deve ser uma atitude voluntária e prazerosa. Quem almeja trabalhos políticos ou relacionados a causa em sua comunidade irá com certeza desempenhar um papel melhor e representará de forma honrosa a função. Agora, quantos não cumprem a tarefa por pura obrigação e medo de punições? O que trabalha obrigado pode de fato acontecer a democracia em dias de eleições?

Sou a favor da democracia e contra a hipocrisia. Vote em mim para Presidente!



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